Para pastores
Como trazer gente e fazer ela querer ficar?
E como abrir espaço para Deus mudar a vida dela?
Esta é uma conversa sobre cultura e cuidado. No fim, um convite: um diagnóstico gratuito da sua igreja, com as perguntas que ninguém gosta de responder.
Quem fala
Sou Matheus. Ouvi essa pergunta em toda igreja.
Matheus Domingos · 30 anos · casado · mais de 15 anos de evangelho
Corrigi processos, implantei equipes de voluntários, organizei evangelismo, pequenos grupos e treinamento de líderes. Mudavam o tamanho e o nome da casa; a dor era a mesma. O que se repetia virou método.
- Um ministério com mais de 1.000 jovens e adolescentes em células.
- Os voluntários de uma igreja com mais de 3.000 membros.
As três perdas
A gente perde gente três vezes.
Não é no culto, e não é culpa de ninguém: nenhuma dessas passagens tem dono.
A primeira semana
Domingo, ela nos visitou.
Segunda, ninguém liga.
Terceiro domingo, ela não volta.
Os primeiros meses
Curso e batismo, ela é da família.
Depois, ninguém a convida a servir.
Meses depois, ela fica na plateia.
Os anos seguintes
Há anos ela serve.
Nesse tempo, ninguém a discipula.
Um dia, ela cansa e some da escala.
Três perdas. E a gente nem soube.
O modelo que herdamos
Tudo depende do domingo e do pastor.
Primeiro ouvir, depois decidir, só então pertencer.
Muitos de nós chegamos a Jesus por esse caminho, e ele ainda traz gente. Mas a porta é o apelo, e o peso cai no domingo e na memória do pastor. É o desenho, não defeito de ninguém.
domingo
a memória do pastor
1Quem não decide no apelo não tem próximo passo.
2Cada passagem depende de o pastor lembrar.
3Quem chega é avisado, não procurado.
4Quem serve vira escala; ninguém sabe quando cansou.
5A cidade é esperada, não visitada.
Mesmas práticas, mesmos resultados. Para mudar o resultado, muda o que se repete.
Outro caminho
Pertencer antes de crer. É o modelo celta.
A decisão deixa de ser a porta e passa a ser o resultado.
Existe um caminho mais antigo que o apelo, e ele inverte a ordem: a pessoa entra na comunidade, convive, é servida, e a fé nasce ali dentro. A diferença não é tática. É de mentalidade. A ordem muda; o evangelho não.
O modelo que herdamos
- 1Ouvir a pregação
- 2Decidir
- 3Pertencer
O modelo celta
- 1Pertencer
- 2Conviver e ser servido
- 3Crer
Na leitura de George G. Hunter III sobre a missão celta (2000).
“Ele respondeu: — Venham e verão. Então, foram... viram onde ele estava hospedado e passaram com ele aquele dia.”
Modelo celta · as pessoas
Pertencer é ser recebido por alguém.
A tarefa da igreja não é filtrar.
É criar espaços onde as pessoas possam pertencer, experimentar o amor de Cristo e, a partir daí, encontrar a fé.
- Comunidade antes da mensagem: quem chega é recebido antes de ser ensinado.
- A mesa é o método: encontro com data e com nome.
- Um amigo da alma: ninguém é entregue a um processo, e sim a alguém.
- Equipe, não herói: quem recebe, quem procura e quem acompanha são pessoas diferentes.
Patrício foi criticado por andar com pagãos e pecadores. Seríamos abençoados se nos acusassem do mesmo: de focar nos perdidos.
O time
Pastor não joga só.
Ninguém está pedindo que o pastor corra mais. O pedido é por time.
Alguém convida, alguém recebe, alguém liga na segunda, alguém discipula, e a bola chega ao pastor. A igreja já tem culto, curso e equipes; a pessoa se perde na passagem de um para o outro. Assumir é pôr um nome em cada passagem.
- O púlpito continua sendo do pastor; os passes são a semana.
- Responsabilidade que não custa nada a quem assume não é resgate, é opinião.
O novo acolhimento
Da porta a um lugar na casa.
Cada culto é único: pode ser o primeiro encontro de alguém com Jesus.
Hoje, o visitante ganha um brinde e vai embora sem que ninguém saiba quem ele é. A proposta: ser visto antes de sair, procurado na semana e convidado, pelo nome, para uma mesa.
- No culto: recebe um sinal, e quem vai procurá-lo pega o contato.
- Em 24 horas: “Que bom que você veio”, e nada mais.
- Em 72 horas: o convite ao café colonial, com data e com o nome.
- No café: comida de verdade, ninguém prega e ninguém é chamado a decidir.
- O integrador recebe, procura, senta à mesa e não repassa no meio.
A primeira semana
Domingo, ela nos visitou.
Segunda, alguém liga.
Terceiro domingo, ela está à mesa.
“Eu o vi quando você ainda estava debaixo da figueira, antes de Filipe o chamar.”
Cultura de voluntariado
Quem foi cuidado, cuida.
Servir é devolver o que recebemos.
Quem ganhou um lugar na casa não vira plateia: serve, e faz por alguém o que fizeram por ele. Treinar é ensinar a repetir o que recebeu. E quem serve também precisa ser cuidado, porque quem só é útil cansa.
- Alguém a viu na porta; agora ela vê quem chega.
- Cada um cuida de três e é cuidado por um.
- Quem foi cuidado volta para a cidade cuidando de alguém.5
Os primeiros meses
Na mesma semana, alguém a convida a servir.
Os anos seguintes
No dia em que ela cansa, alguém percebe antes da escala.
“Vocês receberam de graça; deem também de graça.”
O convite
O próximo passo é um diagnóstico gratuito.
Parece uma mudança grande. Ninguém começa por tudo: começa por uma passagem.
Vamos conversar sobre a sua igreja e fazer ao pastor as perguntas incômodas sobre o que você leu aqui. A gente anota com você, e o diagnóstico fica com vocês por escrito.
- Do último domingo, de quantos visitantes você sabe o nome hoje?
- Quem foi batizado este ano e ainda não serve em lugar nenhum?
- Qual voluntário seu está cansando, e quem vai perceber antes de ele sumir?
São perguntas assim. O diagnóstico não obriga a nada: dá para sair dele com tarefa para a própria liderança.
WhatsApp (81) 99871-9701
Se fizer sentido, a segunda conversa é sobre a mentoria e a ferramenta.
A ferramenta
Até aqui foi método. Agora, a ferramenta.
Tudo o que você leu é feito por pessoas.
Quem vê, quem procura, quem senta à mesa, quem treina, quem cuida. A GOOEL é onde isso deixa de depender da memória de alguém. A cultura é do pastor, e o controle também.
- Um app por igreja, no celular e no computador, com as palavras da casa.
- Quem cuida é gente. O app lembra, nomeia, cobra prazo e mede.
O nome
Por isso, o nome é GOOEL.
goel · lê-se go-él
No hebraico da Bíblia, goel é o parente que tem o dever de resgatar alguém da família. Boaz viu Rute no campo e, diante de dez anciãos na porta da cidade, a assumiu. Rute ganhou casa, nome e futuro.
A GOOEL não é o goel: ela só guarda o nome de quem assumiu.